Dr. Tobias Torres – Cirurgia do Ouvido

O que é otosclerose?

A otosclerose é uma doença óssea do ouvido que afeta principalmente a região próxima ao estribo, um dos três ossículos responsáveis por transmitir as vibrações sonoras para a orelha interna. Nessa condição, há um crescimento anormal do osso ao redor do estribo, que o impede de vibrar livremente. O resultado disso é uma perda auditiva progressiva, geralmente do tipo condutiva.

Em alguns casos mais raros e avançados, essa alteração óssea também pode atingir diretamente a cóclea e causar perda auditiva sensorioneural associada por lesão de células auditivas.

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O Dr. Tobias Torres é médico otorrinolaringologista, especialista em cirurgia do ouvido, com ampla experiência no diagnóstico e tratamento da otosclerose. Atendimento humanizado e baseado em evidências, oferece cuidado completo para sua saúde auditiva em Blumenau/SC.

Quais são os sintomas da otosclerose?

  1. Perda auditiva progressiva (geralmente unilateral no início);
  2. Maior dificuldade para ouvir sons graves;
  3. Sensação de ouvido tampado ou abafado;
  4. Zumbido (tinnitus) persistente.

Quem tem mais risco de desenvolver otosclerose?

  • Fatores genéticos: histórico familiar positivo é o maior fator de risco;
  • Mulheres: razão 2:1 comparado a homens;
  • Idade: entre 20 e 40 anos;
  • Gravidez: pode acelerar a progressão da doença;
  • Etnia: mais comum em pessoas brancas (caucasianas).
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Como é feito o diagnóstico da otosclerose?

O diagnóstico envolve a avaliação otorrinolaringológica e solicitação de exames complementares. Na consulta com o otorrinolaringologista, são coletadas todas as informações sobre os sintomas, histórico médico e auditivo do paciente e realiza-se o exame físico. Nos casos de otosclerose, em regra, a anatomia do canal auditivo e da membrana timpânica são normais. A avaliação inclui também os testes de diapasão (acumetria), que são importantes na confirmação do tipo de perda auditiva e na inferência do grau de fixação do estribo.

Exames complementares audiológicos e de imagem são fundamentais:

  • Audiometria: define tipo e grau de perda auditiva (condutiva ou mista);
  • Impedanciometria: verifica mobilidade dos ossículos e reflexo acústico;
  • Tomografia de alta resolução: evidencia as áreas de alteração óssea (Tomasoni et al., 2025).

Quais são os tratamentos disponíveis para otosclerose?

1. Aparelhos auditivos

Os aparelhos auditivos são opção de reabilitação auditiva para todos os pacientes com otosclerose. O resultado auditivo é extremamente positivo na maioria dos casos. Os equipamentos atuais são modernos, possuem excelente qualidade sonora e auxiliam sobremaneira na amplificação dos sons. É um tratamento que não envolve riscos, mas que, por outro lado, não impede a evolução da perda auditiva.

2. Tratamento medicamentoso

Estudos com fluoreto de sódio e bisfosfonatos são inconclusivos e ainda não recomendados como padrão clínico.

3. Cirurgia do estribo: Estapedotomia

A técnica cirúrgica para correção da perda auditiva causada pela otosclerose é chamada de estapedotomia. Consiste na substituição parcial do estribo fixo por uma prótese de teflon ou titânio. Essa prótese devolve a mobilidade da cadeia ossicular e restaura a condução sonora. A taxa de sucesso cirúrgico é próxima de 90% em pacientes primários e em cirurgias revisionais, estudos mostram que 57,2% dos pacientes alcançam fechamento do gap aéreo-ósseo menor que 10dB e 79% alcançam menor que 20dB (Tomasoni et al., 2025; Quimby et al., 2022).

A cirurgia é indicada para pacientes que cumprem dois critérios audiológicos:

  • Gap aéreo-ósseo >25 dB
  • Teste de Rinne negativo em 250Hz

É um procedimento complexo que exige experiência, treinamento e precisão cirúrgica. As complicações cirúrgicas são infrequentes, mas potencialmente graves. A taxa de complicações graves, como perda auditiva neurossensorial profunda (chamada de "dead ear"), é próxima de 1,2% (Tomasoni et al., 2025; Quimby et al., 2022). Todos os riscos devem ser explicitados para que o paciente tome a melhor decisão.

Complicações: perfuração timpânica, tontura transitória, zumbido persistente, perda auditiva profunda.

Existe cura para a otosclerose?

A otosclerose não tem cura definitiva, mas a perda auditiva pode ser tratada com grande eficácia. A cirurgia oferece resultados duradouros, principalmente quando indicada corretamente. Em casos mais raros, quando o foco de calcificação é muito extenso, pode ocorrer fixação da prótese a longo prazo. Nos casos mais avançados com comprometimento neurossensorial grave, podem ser indicados os implantes cocleares.

Por que procurar um especialista em cirurgia do ouvido?

A estapedotomia é uma cirurgia delicada, que exige experiência em cirurgia do ouvido e estrutura hospitalarcom equipamentos e materiais adequados para sua realização. O otologista é o otorrinolaringologista especializado em doenças do ouvido e habituados com esses procedimentos. Um especialista pode oferecer o melhor desfecho possível com menor risco.

Conclusão

A otosclerose é uma causa comum e tratável de perda auditiva. O diagnóstico correto e o tratamento adequado, cirúrgico ou não, podem reabilitar a audição e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente. Se você suspeita desse problema, agende uma avaliação com um otorrinolaringologista especializado em ouvido.

Referências científicas