Dr. Tobias Torres – Cirurgia do Ouvido

Para quem sofre de perda auditiva por otosclerose, existe uma cirurgia: a estapedotomia. É indicada nos casos de fixação do estribo e pode restaurar de forma significativa a capacidade auditiva, melhorando a qualidade de vida e até evitando o uso contínuo de aparelhos auditivos. Neste artigo, você vai entender como a estapedotomia funciona, quem pode se beneficiar da cirurgia, quais são seus riscos e como é o pós-operatório.

O que é otosclerose e como ela afeta sua audição

A otosclerose é uma doença que altera a estrutura óssea do ouvido interno. Afeta principalmente a região do estribo — um dos três ossos da audição, responsáveis por transmitir o som que chega no tímpano até a cóclea. Nessa doença, o estribo se torna rígido, deixando de vibrar adequadamente e causando uma perda auditiva progressiva, geralmente do tipo condutiva, ou seja, relacionada à condução do som.

Essa condição tem forte influência genética e afeta mais frequentemente mulheres entre 20 e 50 anos. Estima-se que entre 0,3% e 0,4% da população mundial sofra de otosclerose clinicamente significativa, segundo dados de revisões sistemáticas publicadas nos últimos anos.

O paciente pode perceber uma perda auditiva lentamente progressiva, sensação de ouvido tampado e, em alguns casos, zumbido.

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O Dr. Tobias Torres é médico otorrinolaringologista, especialista em cirurgia do ouvido, com ampla experiência no diagnóstico e tratamento da perda auditiva por otosclerose. Atendimento humanizado e baseado em evidências, oferece cuidado completo para sua saúde auditiva em Blumenau/SC.

Aparelho de audição

A primeira abordagem para lidar com a perda auditiva causada pela otosclerose costuma ser o uso de aparelhos auditivos convencionais, que amplificam o som e compensam a dificuldade de condução sonora. Diante das novas tecnologias, houve grande melhora na potência e na qualidade sonora dos aparelhos de audição. Tratamento isento de riscos com ótimos resultados. É necessário que o paciente faça acompanhamento e ajustes regulares do aparelho, pois a perda auditiva pode progredir e exigir mais potência sonora.

Como é feita a estapedotomia?

A estapedotomia é uma cirurgia complexa e de precisão. Realizada no ouvido médio, com o auxílio de microscópio cirúrgico sob anestesia geral, tem como objetivo substituir o estribo e devolver ao ouvido sua capacidade de transmitir o som de forma eficiente. É uma opção de tratamento para perda auditiva por otosclerose quando o paciente apresenta:

  • Audiometria: perda auditiva e gap aéreo-ósseo superior a 25 dB;
  • Acumetria: teste de Rinne negativo

Durante o procedimento, o cirurgião acessa a cadeia ossicular através do canal auditivo com uma pequena incisão externa. É feito descolamento e rebatimento do tímpano e a identificação do estribo fixo. Realiza-se uma pequena perfuração na base do estribo e, em seguida, é posicionada uma prótese em forma de pistão que conecta a bigorna diretamente à cóclea, através do orifício feito no estribo. Assim, o som volta a ser transmitido com eficiência. A cirurgia costuma durar cerca de 90 minutose o paciente recebe alta hospitalar no dia seguinte.

Quais tipos de prótese são utilizados?

As próteses utilizadas na estapedotomia são extremamente leves, precisas e biocompatíveis. Os materiais mais comuns incluem:

  • Teflon (PTFE): muito utilizado, com excelente adaptação;
  • Titânio: leve e rígido, com excelente performance acústica;

A escolha da prótese ideal depende de fatores como a anatomia do paciente e a preferência do cirurgião, com base em sua experiência e nos estudos clínicos mais atuais.

Quais os resultados da estapedotomia?

Os resultados da estapedotomia são, de forma geral, muito positivos. Meta-análises recentes mostram que até 90% dos pacientes apresentam melhora significativa da audição após a cirurgia. Cerca de 85% alcançam um fechamento do gap aéreo-ósseo para menos de 10 dB — o que significa que a audição praticamente retorna ao normal.

Além disso, pacientes relatam melhora significativa na qualidade de vida, na comunicação social, no desempenho profissional e até mesmo na autoestima.

É importante destacar que a estapedotomia não impede a progressão de perda auditiva nos casos de otosclerose coclear associada (quando a doença atinge a cóclea). No entanto, pode adiar significativamente a necessidade de aparelhos auditivos ou devolver um bom redimento aos aparelhos auditivos quando a perda auditiva está muito avançada.

Quais são as possíveis complicações na estapedotomia?

Apesar de ser considerada uma cirurgia de baixo risco quando realizada por profissionais experientes, a estapedotomia, como qualquer procedimento cirúrgico, pode ter complicações. As mais comuns, geralmente transitórias, incluem:

  • Tontura nos primeiros dias, causada pela manipulação da cóclea;
  • Alterações do paladar, devido a manipulação do nervo corda do tímpano;
  • Sensação de ouvido tampado no pós-operatório imediato;
  • Perfuração do tímpano, embora rara.

Complicações mais graves e trágicas, como perda auditiva neurossensorial profunda, são extremamente raras, com incidência próxima de 1% dos casos.

Além disso, a longo prazo, pode haver deslocamento da prótese ou recidiva da perda auditiva, o que pode requerer uma nova cirurgia (revisão de estapedotomia). Felizmente, com os avanços técnicos das últimas décadas, essas situações são cada vez mais incomuns.

Como é o pós-operatório da estapedotomia?

A recuperação costuma ser bem tolerada. Após a cirurgia, o paciente é encaminhado para a internação hospitalar. No dia seguinte, em regra, apresentando boa evolução, recebe alta hospitalar com as orientações de cuidados da primeira semana. Recomenda-se:

  • Repouso domiciliar
  • Não realizar esforço físico;
  • Não abaixar a cabeça
  • Não assoar o nariz com força;

Os ganhos auditivos costumam ser percebidos de forma mais estável entre 2 e 4 semanas após a cirurgia. O retorno às atividades habituais ocorre após 10 dias ou conforme orientação médica individualizada.

A estapedotomia é para mim?

Se você foi diagnosticado com otosclerose, apresenta perda auditiva condutiva e deseja uma alternativa ao uso de aparelhos auditivos, a estapedotomia pode ser uma solução. O primeiro passo é agendar uma consulta com um otorrinolaringologista especializado, que fará os exames necessários e avaliará se o seu caso é cirúrgico. Cada paciente deve ser cuidadosamente analisado, levando em conta sua audiometria, tomografia, queixas e expectativas.

Conclusão

A estapedotomia é uma cirurgia indicada para restaurar a audição de pacientes com otosclerose. É uma microcirurgia precisa e complexa que, quando bem indicada e executada, possui excelente prognóstico em relação a taxa de sucesso.